Os advogados falam uma língua que ninguém entende e uma significativa parcela da sociedade os idolatra, pois estão sempre bem arrumados e falando coisas indecifráveis por pobres mortais. Isso só pode ser sinônimo de coisa boa, né? Também podemos citar os médicos, que além de falarem difícil, também escrevem difícil. Meus parabéns eternos para os farmacêuticos, os únicos capazes de decifrar tais "hieróglifos".
Admiro muito a coesão desse povo. "Inventaram" dialetos para se comunicarem, o que permite que leigos não interfiram em suas funções. Além disso, brigam entre si, desacatam, falam injúrias, porém se qualquer um, que não faça parte deste seleto grupinho, falar mal, formam um escudo indestrutível com o apoio da lei, logicamente. Isso é realmente bacana e não estou sendo irônica, no momento.
Já as classes das quais faço parte não são nada parceiras. Cada integrante se sente no direito de melhorar a obra do coleguinha, apontando falhas - por vezes não, elas não existem - mesmo quando não são capacitados para tal. Dão aquela ajeitadinha no que demoramos horas, dias, anos para concluir, a fim de dar aquele toque especial que descaracteriza todo o trabalho.
No caso, não estamos falando de apontar o dedo, falar mal ou criticar, mas de colocar a mão na massa sem autorização prévia. Por inúmeras vezes vemos nossos trabalhos publicados com aquelas alteraçõezinhas cheias de erros nítidos até para o mais desatento. E, por acaso, é o nosso nome que está assinado junto com o estrago que fizeram.
Receber críticas é maravilhoso, sempre recebo. Faço ajustes nos meus trabalhos por conta de algumas delas, pois são pontos agregadores ao material que já possuo. As destrutivas, certamente, são ignoradas. O completo absurdo é pegar um material pronto - seja texto ou fotografia - alterar e publicar sem, ao menos, avisar ao autor. Lembrando que revisar é diferente de alterar, por isso existem duas palavras, uma para cada coisa.
O estrago acontece quando o material entregue com tanto cuidado, que recebeu aquela ajeitadinha especial, é disseminado por toda internet e não tem mais volta. Aquele texto é seu, mas não é bem assim. Aquela fotografia é sua, mas aquele recorte não foi o escolhido por você. É o seu nome, mas não é o seu estilo, suas palavras, sua imagem, você impresso ali.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Linda
Não sou do tipo que funciona muito bem na parte da manhã. O acordar é quase um sacrifício diário. Só consigo abrir um olho por vez e o primeiro "bom dia" só acontece depois de 15 minutos após a claridade me permitir abrir os dois ao mesmo tempo. Tudo se agrava quando é uma segunda-feira qualquer.
O processo se repete todos os dias e hoje não foi diferente. O mesmo pesar no ato de ter que sair da cama. Os olhos fecho e cochilo aqueles três minutinhos sagrados. E nesse tempinho sonhei como se a história tivesse durado a noite inteira.
Não costumo sonhar. Tenho pesadelos praticamente todos os dias e não, não pretendo saber o significado deles. Então, quando aparece algo bom em meu subconsciente - ou, para os que acreditam, quando meu espírito vai dar um passeio gostoso por outros lugares -, faço questão de registrar e ficar repetindo as imagens na minha cabeça durante dias e tento não esquecer.
Em mais uma segunda de manhã, esperando ter um super pesadelo surreal para compartilhar com a primeira pessoa que encontrar, tive uma surpresa. Durante aqueles três minutos viajei pelo meu mais profundo sentimento e senti. Não foi saudade, não foi inconformismo, foi como se em uma redoma de carinho eu fosse envolvida.
Abri os olhos bem lentamente querendo não parar de sentir, mas aquela sensação só terei, talvez, em outra vida ou em meus tão raros sonhos. Aquele abraço tão intenso que me fez sentir protegida, me mostrou que tenho quem olhe por mim e que acordar todos os dias não deveria ser tão sacrificante.
Você se chama Linda, por que é linda, tia. Sempre.
O processo se repete todos os dias e hoje não foi diferente. O mesmo pesar no ato de ter que sair da cama. Os olhos fecho e cochilo aqueles três minutinhos sagrados. E nesse tempinho sonhei como se a história tivesse durado a noite inteira.
Não costumo sonhar. Tenho pesadelos praticamente todos os dias e não, não pretendo saber o significado deles. Então, quando aparece algo bom em meu subconsciente - ou, para os que acreditam, quando meu espírito vai dar um passeio gostoso por outros lugares -, faço questão de registrar e ficar repetindo as imagens na minha cabeça durante dias e tento não esquecer.
Em mais uma segunda de manhã, esperando ter um super pesadelo surreal para compartilhar com a primeira pessoa que encontrar, tive uma surpresa. Durante aqueles três minutos viajei pelo meu mais profundo sentimento e senti. Não foi saudade, não foi inconformismo, foi como se em uma redoma de carinho eu fosse envolvida.
Abri os olhos bem lentamente querendo não parar de sentir, mas aquela sensação só terei, talvez, em outra vida ou em meus tão raros sonhos. Aquele abraço tão intenso que me fez sentir protegida, me mostrou que tenho quem olhe por mim e que acordar todos os dias não deveria ser tão sacrificante.
Você se chama Linda, por que é linda, tia. Sempre.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Sorte
Mesmo tendo toda a liberdade criativa dada em minhas mãos, foi difícil conseguir expor o que realmente sentia. Diante das comparações que fazia em minha cabeça em relação a capacidade alheia, me via perdida em um oceano de mesmice e falta de algo que representasse a essência daquilo tudo que, na verdade, para qualquer ser comum, não era nada.
Transformar o simples no esplêndido. Dividir com o resto do mundo o que somente um vê. O que só eu enxergo. O mínimo de forma maximizada. O que era nada, era tudo o que eu tinha para mostrar.
Para a construção do objeto, antes foi necessário um processo de desconstrução. Por incrível que pareça, o caminho inverso é o mais difícil de ser feito. Faz-se tudo certo, só que ao contrário. Tente.
Enquanto desconstruía meu objeto e o estudava em diversos ângulos, menos o entendia e mais clareava a ideia do que aquilo poderia se transformar. Pecinha por pecinha se desencaixando e sendo reposicionada de maneira incrível.
O objeto da minha fixação? O desabrochar de um trevo de quatro folhas. Nada tão significativo pra mim nesse momento que muita sorte.
Transformar o simples no esplêndido. Dividir com o resto do mundo o que somente um vê. O que só eu enxergo. O mínimo de forma maximizada. O que era nada, era tudo o que eu tinha para mostrar.
Para a construção do objeto, antes foi necessário um processo de desconstrução. Por incrível que pareça, o caminho inverso é o mais difícil de ser feito. Faz-se tudo certo, só que ao contrário. Tente.
Enquanto desconstruía meu objeto e o estudava em diversos ângulos, menos o entendia e mais clareava a ideia do que aquilo poderia se transformar. Pecinha por pecinha se desencaixando e sendo reposicionada de maneira incrível.
O objeto da minha fixação? O desabrochar de um trevo de quatro folhas. Nada tão significativo pra mim nesse momento que muita sorte.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Sobrevivência social
O permitido e o obrigatório estão na lista das primeiras coisas que precisamos aprender para conseguir sobreviver. Ideias e ideais até se divergem de acordo com a região, mas nada muito distante do que se tem como padrão. As regras da sociedade, em geral, são essenciais, mesmo que certas pessoas não tenham a menor pretensão de obedecer. Por esse motivo criam as próprias normas, uma comunidade dentro de um complexo de integração ainda maior.
Começo a achar que faço parte dessa minoria que prefere fazer as coisas de outro jeito. E são várias dessas obrigações e permissões que me incomodam um pouco. Não curto horário comercial, por exemplo, e levo em conta que pesquisas mostram que trabalhadores de escritório pedem pouco mais de 2h com distrações e interrupções. Se parar para pensar também, coisas que são rotina na vida de qualquer ser humano como ir ao médico, dentista e até ao banco fica complicado quando estes também funcionam de 9h às 18h (tá, os bancos de 10h às 16h, o que dá no mesmo).
E não tem como esquecer a academia, o curso, a pós, os trabalhos... Parece que de segunda a sexta somos programados para fazer tarefas sem ter a possibilidade de desviar o caminho, pois 1 segundo a mais escovando os dentes significam 10 minutos de atraso em um outro compromisso. Prende a respiração e vai!
Ter horário para tudo também é um problema. Sou do tipo 5 minutos. Ou chego 5 minutos antes ou atrasada. Mas isso tem relação direta com a rotina, por que quando é algo esporádico, tenho costume de chegar no horário combinado, bem certinho. Me auto-saboto para fingir que a vida não é tão regrada como parece, mas não funciona muito.
Acho que esse é um dos motivos pelos quais escolhi minhas profissões. O jornalista e o fotógrafo quase não tem horário e, muito menos dia. Sábados, domingos e feriados estamos na atividade e segundas são as nossas favoritas. Acordar 4h da manhã para sessão de fotos do outro lado da cidade e com chuva? Claro! Faço sem pestanejar e com um sorriso enorme no rosto.E depois chegar em casa e tratar aquelas milhares de fotografias durante a madrugada é um prazer.
Não que eu não tenha nascido pra ter regras. A rotina, infelizmente, é necessária para a sobrevivência social. Porém, não gosto de me enxergar como um robô programado para realizar atividades diárias sem poder desviar nem o olhar para apreciar uma paisagem interessante, tomar um sorvete ou respirar fundo e esquecer de tudo por 3 segundo.
Começo a achar que faço parte dessa minoria que prefere fazer as coisas de outro jeito. E são várias dessas obrigações e permissões que me incomodam um pouco. Não curto horário comercial, por exemplo, e levo em conta que pesquisas mostram que trabalhadores de escritório pedem pouco mais de 2h com distrações e interrupções. Se parar para pensar também, coisas que são rotina na vida de qualquer ser humano como ir ao médico, dentista e até ao banco fica complicado quando estes também funcionam de 9h às 18h (tá, os bancos de 10h às 16h, o que dá no mesmo).
E não tem como esquecer a academia, o curso, a pós, os trabalhos... Parece que de segunda a sexta somos programados para fazer tarefas sem ter a possibilidade de desviar o caminho, pois 1 segundo a mais escovando os dentes significam 10 minutos de atraso em um outro compromisso. Prende a respiração e vai!
Ter horário para tudo também é um problema. Sou do tipo 5 minutos. Ou chego 5 minutos antes ou atrasada. Mas isso tem relação direta com a rotina, por que quando é algo esporádico, tenho costume de chegar no horário combinado, bem certinho. Me auto-saboto para fingir que a vida não é tão regrada como parece, mas não funciona muito.
Acho que esse é um dos motivos pelos quais escolhi minhas profissões. O jornalista e o fotógrafo quase não tem horário e, muito menos dia. Sábados, domingos e feriados estamos na atividade e segundas são as nossas favoritas. Acordar 4h da manhã para sessão de fotos do outro lado da cidade e com chuva? Claro! Faço sem pestanejar e com um sorriso enorme no rosto.E depois chegar em casa e tratar aquelas milhares de fotografias durante a madrugada é um prazer.
Não que eu não tenha nascido pra ter regras. A rotina, infelizmente, é necessária para a sobrevivência social. Porém, não gosto de me enxergar como um robô programado para realizar atividades diárias sem poder desviar nem o olhar para apreciar uma paisagem interessante, tomar um sorvete ou respirar fundo e esquecer de tudo por 3 segundo.
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| por Orlandeli |
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Fiorino 97
Tenho escutado - e lido - muitos discursos motivacionais não intencionais, porém bastante interessantes. Cada um tenta me fazer enxergar de ângulos diferentes o que não consigo ver até pouco tempo. Tudo me parece alcançável por instantes, mas bastam segundos para que minha imaginação e consciência façam um caminho cheio de dificuldades e obstáculos surgir.
Este não é para ser mais um desses textos de auto-ajuda chatos e utópicos, mas queria compartilhar uma história bem comum, talvez a mais comum de todas, sobre um cara, um sonho e uma ideia. Não, não pare de ler para me dizer que todas as histórias começam desse jeito, sei que sim.
Já estava em pé, já tinha me despedido e me encontrava na porta quando surgiu um assunto que está me consumindo até agora. O discurso foi simples, a ideia ainda mais, mas o significado daquilo era o que eu precisava no momento.
O sonho dele era abrir um buffet, mas não tinha dinheiro para investir em copos, bandejas, fritadeiras, forninhos, em pessoal e transporte ao mesmo tempo. Sim, o básico para começar. Não tive a informação se ficou pensando por muito tempo sobre como iria fazer o negócio funcionar, só que ele teve uma sacada genial.
Aos que se atreveram a pensar qual foi a ideia... Não, ele não investiu em propaganda. Pegou tudo o que tinha, comprou uma Fiorino 97* e um adesivo bem bonito com a sua logo para colar no veículo. Essa ação tão limitada poderia ser um tiro no pé. Afinal, como começar um negócio - que não é, no caso, uma transportadora - só com um carro adesivado?
Era o primeiro cliente que iria fazer o negócio funcionar. A maior parte do dinheiro era para o aluguel de material e a parcela mínima que sobrava, para a compra de itens de extrema sobrevivência para o de um buffet.
Me vi ali. Começando do zero. Ouvindo - e pensando - que o investimento poderia não dar certo. Ou talvez poderia. Tantas dúvidas. Como ele, não tenho como investir em equipamento pesado, em ferramentas, em acessórios e em equipe de uma só vez. Sou só eu e os meus itens essenciais.
Por incrível que pareça, o único concretismo nessa história que tento escrever todos os dias é a força de vontade. Vontade de crescer, vontade de ser. Quem não tem vontade? Mais abstrato que isso impossível. Como mensurar aquilo que não se tem forma? Como demonstrar aquilo que só existe internamente?
Dizem por aí que nossas palavras e pensamentos tem o poder de transformar o abstrato em realidade. Ele acreditou e hoje tem um buffet só dele, uma equipe, todo o aparato e, creio eu, um carro bem mais moderno.
Ainda estou no processo de trabalhar muito e ganhar pouco. Muita experiência e também ganho a famosa visibilidade que não paga as contas, mas tudo bem. E ainda tenho ajuda de amigos e cada um colabora como pode. Uns posam, outros apoiam, outros consultam e não importa a distância que estejam, unem suas forçar para que o mecanismo funcione, ainda que não perfeitamente. Imagine a minha vontade multiplicada? Não tem como não funcionar.
*O ano do carro foi invenção. Gosto de 97. Acho sonoro.
Este não é para ser mais um desses textos de auto-ajuda chatos e utópicos, mas queria compartilhar uma história bem comum, talvez a mais comum de todas, sobre um cara, um sonho e uma ideia. Não, não pare de ler para me dizer que todas as histórias começam desse jeito, sei que sim.
Já estava em pé, já tinha me despedido e me encontrava na porta quando surgiu um assunto que está me consumindo até agora. O discurso foi simples, a ideia ainda mais, mas o significado daquilo era o que eu precisava no momento.
O sonho dele era abrir um buffet, mas não tinha dinheiro para investir em copos, bandejas, fritadeiras, forninhos, em pessoal e transporte ao mesmo tempo. Sim, o básico para começar. Não tive a informação se ficou pensando por muito tempo sobre como iria fazer o negócio funcionar, só que ele teve uma sacada genial.
Aos que se atreveram a pensar qual foi a ideia... Não, ele não investiu em propaganda. Pegou tudo o que tinha, comprou uma Fiorino 97* e um adesivo bem bonito com a sua logo para colar no veículo. Essa ação tão limitada poderia ser um tiro no pé. Afinal, como começar um negócio - que não é, no caso, uma transportadora - só com um carro adesivado?
Era o primeiro cliente que iria fazer o negócio funcionar. A maior parte do dinheiro era para o aluguel de material e a parcela mínima que sobrava, para a compra de itens de extrema sobrevivência para o de um buffet.
Me vi ali. Começando do zero. Ouvindo - e pensando - que o investimento poderia não dar certo. Ou talvez poderia. Tantas dúvidas. Como ele, não tenho como investir em equipamento pesado, em ferramentas, em acessórios e em equipe de uma só vez. Sou só eu e os meus itens essenciais.
Por incrível que pareça, o único concretismo nessa história que tento escrever todos os dias é a força de vontade. Vontade de crescer, vontade de ser. Quem não tem vontade? Mais abstrato que isso impossível. Como mensurar aquilo que não se tem forma? Como demonstrar aquilo que só existe internamente?
Dizem por aí que nossas palavras e pensamentos tem o poder de transformar o abstrato em realidade. Ele acreditou e hoje tem um buffet só dele, uma equipe, todo o aparato e, creio eu, um carro bem mais moderno.
Ainda estou no processo de trabalhar muito e ganhar pouco. Muita experiência e também ganho a famosa visibilidade que não paga as contas, mas tudo bem. E ainda tenho ajuda de amigos e cada um colabora como pode. Uns posam, outros apoiam, outros consultam e não importa a distância que estejam, unem suas forçar para que o mecanismo funcione, ainda que não perfeitamente. Imagine a minha vontade multiplicada? Não tem como não funcionar.
*O ano do carro foi invenção. Gosto de 97. Acho sonoro.

