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sábado, 17 de setembro de 2011

O limite dos direitos

Existem palavrinhas que causam certos problemas na hora de definirmos sem a ajuda do dicionário. Algumas pessoas, por exemplo, acham que podem conseguir "dignidade". Sim, é verdade! Outras acham que o "direito" é um substantivo adquirido.

Pois, é. Hoje falaremos de direitos.

Não precisa se esforçar muito para observar que temos diferenças de classes sociais, religião, raça. Observe que eu coloquei distinções "básicas", pois imagine você se eu fosse querer descontruir todos os seres humanos, um por um, e esperar um ponto de igualdade entre eles.

A igualdade, felizmente, não existe. Esta talvez seja uma das coisas que torna o mundo mais interessante e desafiador. A verdade é que, por existirem um infinito de qualificações e rotulações, os grupos com pontos de igualdade mais "visíveis" costumam se aproximar. E se aproximam tanto que geram uma ação inversa à ideia inicial.

Os grupos ficam tão unidos que tentam evitar de todas as maneiras uma aproximação ou interferência de alguém que, teoricamente, não faz parte. Pior que isso, é achar que possiu a verdade absoluta e querer impor aquilo em que se acredita. Você está fazendo isso errado!

Para defender um ponto de vista ou uma posição perante a sociedade, não é necessário atacar aqueles que pensam diferente. Muito pelo contrário! Amigo, se você quiser ser ouvido e tem um pinguinho de bom senso, não será difícil deixar de atacar as pessoas e passar a compartilhar suas ideias sem ofender. 

A luta pelo direito não deveria existir, à princípio. Como a vida é uma constante de conquistas, lute, sim! Mas nunca se esqueça que aqui (na Terra) o espaço é multiuso e que todos se completam em algum sentido. Por isso, respeite e aguarde.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Onde está seu negocinho?

Em tempos de vaquinha para comprar um fone para um funkeiro carente, venho com uma curiosa história que me ocorreu há um tempo.

Em uma das minhas viagens usando o transporte publico, me acomodo no banco alto - complexo de baixinha -  para poder obeservar a hyk@ paisagem do subúrbio carioca que passa diante dos meus olhos acostumados.

Eis que ao meu lado, senta-se uma distinta senhora - que, certamente, faz parte do bonde das vovós fofinhas - com fios brancos e rugas que contam histórias por si só.

*cutuque*
- Oi. - diz a velhinha.
- Oi - respondo educadamente estranhando

Não, ela não fazia parte daquele grupinho insuportável que mira na sua cara de pamonha e comeca a reclamar da vida.

Velhinha: Onde está seu negocinho?
Eu: Negocinho? - #medontrazyl
V: Aquele negocinho de colocar no ouvido...

E não, ela também não estava me dando bronca por escutar funk nas alturas.Sou moça direita, como sabem. A senhora só queria saber o porquê eu não estava com fone de ouvido. Interessante, não? Ela me apontou outros três jovens introspectivos que estavam fazendo uso do ipod, celular e mp3 - existe ainda?. Somente eu destoava do grupo.

Será que ela sentiu pena de mim? Uma pobre menina de classe média que não tinha dinheiro para comprar um fone e ao menos fingir... Ou será que sentiu um alivio pela sociedade que ainda tem salvação através da  comunicação sendo feita ao vivo também.

Fiquei mais intrigada do que ela durante um bom tempo, e ainda estou, confesso. Queria saber o que se passava  naquela cabecinha branca enquanto dizia que não tinha como ouvir música no ônibus e que não sentia essa necessidade.


Se eu sinto as mudancas atraves da tecnologia - lê-se Atari, Meu Primeiro Gradiente e Disket - imagine a grande evolução a partir do rádio, da vitrola e do gerador que apagava todas as luzes às 21h?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Fun&business

Eu nunca entendi muito bem o porquê de não podermos misturar fun& business. Tudo bem que tem gente que é brincalhona ao extremo e não consegue unir responsabilidade à diversão sem que uma das partes saia lesada.

Todos os meus projetos - chamo tudo o que faço assim, pois me inspiro no Xandinho (Frota) - tem um pouquinho de diversão, mesmo que seja uma distração através das ondas de radio vindas da web (oy?) ou de transformar o monotono em colorido com toques especiais no ambiente.

Não sei se é mal de geminiano, mas essa história de ter que fazer uma coisa de cada vez e dividir a vida como trabalho-chato e final de semana-diversão está zuuuper fora de moda. Até porque a vida anda atribulada de mais para ter que ser subdividida de maneira tão abrupta.

Concentração é um estado de espírito, não uma imposicao feita de cima para baixo. Além do mais, culpando a web 2.0, como tem gente que anda fazendo por aí, estamos todos virando multimidia através da imposição. E, por isso, é praticamente impossível conseguir separar as "tarefas" de forma homogênea durante o dia.

Por isso digo: abaixo a repressão do NO fun&business por pessoas mais prósperas e felizes no mundo!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Comércio enlatado

Não sei se em outros estados funciona deste jeito, mas nos trens no Rio temos um serviço maravilhoso de culinária e degustação de bebidas. Um loosho só!

Sabe aqueles dias de verão onde as senhorinhas tiram seus leques (de papel) das bolsas e os senhores abrem os botões da camisa pela metade exibindo toda aquela penugem a lá Tonynho (Ramos)? Então, nestes dias o negócio por aqui ferve. Digo 'por aqui', pois escrevo diretamente do próprio (trem).

Aqui existem rapazes que prestam o serviço de fast food. Se você tiver com aquela sede, que tal uma água geladinha? E ainda pode escolher entre com e sem gás! Melhor, melhor... Que tal uma Coca suada provinda direto do saco fedorento que fica cheio de gelo. Ainda bem que os canudos vem embalados agora, porque vai que...

Se você é adepto da cervejinha, nem precisa esperar chegar a sex'ta-feira - dia mundial do barzinho - para abrir a primeira latinha, no trem temos um grande leque de marcas entre 350 e 473ml. Mas não vendemos garrafas porque daria confusão na hora de pôr no copo, ou de algum empurra-empurra, você sabe.

Ah, você não gosta de beber sem petiscar? Um amendoinzinho com ou sem casquinha de biscoito está bom para você? Para os mais avançados na escala de pestisco, temos uma ótima opção, o baconzitos. Tudo com validade, carimbada, claro.

Se o seu problema são as crianças enchendo o saco, compre um picolé Moleka - este não é um post pago - para refrescar os melequentos. Se acha que sorvete faz muita cagada, pinga e deixa a carinha de seu bacuri imunda, aposte nas pipocas de 1 real e nas paçocas, afinal '10 é um real'.

Sempre chamei meus amigos para andar por aqui, mas me chamavam de doida, corajosa e sardinha (por que o trem só anda se tiver lotado, dã). Queria compartilhar essa experiência de um buffet sobre rodas e com direito a chegar o mais rápido possível em casa. A maioria, senão todos que experimentaram, não querem mais saber de outra coisa da vida a não ser viajar consumindo os quitutes que o trem oferece.

Infelizmente, estão querendo acabar com a nossa alegria, afinal alegria de pobre dura pouco. O Choque de Ordem, acabou com a nossa Uruguaiana, carinhosamente conhecida como Uru. Estão passando o rodo! Nossos metres e garçons estão sendo saqueados por guardas e policiais; e nossos lanches, com esse calor, estão indo, certamente, direto para a lixeira.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Hino à Cidade Nova

Os maiores jornais do Rio de Janeiro fazem parte deste bairro, mas não temos notícias por aqui;
Os travestis florescem nossos orelhões;
Temos nossas próprias celebridades;
O Roberto Carlos também manca da perna, mas este só vende doces;
A Cidinha Campos, essa sim é a cópia ruiva da original, e ainda leva um cachorro tarado nos elevadores do prédio de número 30;
Nas ruas sente-se o carnaval, porém depois que ele passa, deixando seus bêbados sobre as calçadas e o famoso mijo nos muros;
O Quartel da PM fica ao nosso lado, mas ainda ouvem-se os tiros das 'saidinhas de banco';
Suas estruturas estão em constante mudança, mas sua fachada é sempre a mesma, remendada;
Este é o bairro onde todo mundo se conhece, mas não conhecemos ninguém, pois todos tem algo, coisa ou membro a esconder;
Cidade Nova, velha, abandonada, renovada, decaída, destruída e reerguida.