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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Helena

Era um dia de semana como outro, nada diferente habitual havia acontecido. Só queria mesmo era chegar em casa. Subi a rua bem devagar, como de costume, para aproveitar um pouco mais o ar livre. Tranquila, por ser sem saída, às vezes posso ouvir o som dos passarinhos me recepcionando a cada passo.

Olho para o portão e vejo se tem alguém a minha espera. Quase nunca tem, mas às vezes meu avô coloca o lixo para fora justamente na hora que estou chegando. Pode ser coincidência, mas prefiro acreditar que não. Ele coloca os saquinhos no chão e me olha sorridente na maioria das vezes.

Sempre chego depois de escurecer, porém desta vez o sol ainda estava se pondo. O dia estava amarelado, como um típico fim de tarde de verão. As luzes dos postes começaram a acender e, ainda envolvida com o som dos pássaros, olhei em direção à casa.

Ela estava ao lado do meu avô que sorria como quem ganha um presente esperado por anos. E instantaneamente parecia que tinha entrado em um transe que misturava felicidade e ansiedade. Sentia a vibração mesmo que de longe ainda. Tive vontade de correr, mas ver aquele sorriso gostoso dos dois eternizado em minha mente, me fazia dar passos vagarosos.

Foi uma visita rápida, daquelas que só tomam um cafezinho, comem um bolo quentinho e falam sobre coisas banais. Porém, nem uma palavra foi dita. Para nós, bastava apenas trocas de olhares para que soubéssemos o motivo da ilustre presença dela.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Manual da Felicidade

Fui feliz quando não mais pensei em justificativas.
Também fui feliz quando não criei expectativas.
Feliz quando não me deixei influenciar.
Quando me eduquei em não acreditar.
Quando não me deixei levar.

Fui feliz quando a mim justifiquei.
Também fui feliz quando sonhei.
Feliz quando me inspirei.
Quando me creditei.
Quando me superei.





quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ser nascer ser escolher ser

São discussões acaloradas que nos estimulam as mais profundas descobertas da mente. Nem nós mesmos sabemos exatamente o porquê pensamos certas coisas, talvez seja pela influência de outras pessoas no período onde começamos a ter discernimento sobre o que acontece a nossa volta.

Como nunca fui de aceitar respostas apenas negativas e positivas, me tornei bastante questionadora. Tenho a necessidade de entender o porquê de certas opiniões, atitudes e em que estas influenciam diretamente na minha e na vida de outras pessoas.

Porém, existem coisas que saltam aos olhos e se mostram de maneira tão pura e simples que, sinceramente acredito, não devemos procurar um motivo, somente aceitar pessoas, situações e a vida, pois estas estão aquém de nosso entendimento.

A diferença das pessoas não está no que elas são, mas nas escolhas que tomam. Opiniões e atitude são questionáveis e mutáveis, porém do que cada um é feito e sua essência, mesmo com todas as influências externas possíveis, nunca pode ser um determinante a ser julgado.

Por Alexandre Beck

terça-feira, 16 de abril de 2013

O Diabo

Um mundo contemporâneo regressor age, como na inquisição, colocando a culpa no pobre do diabo por tudo de ruim que acontece. Não existem acidentes, consequências, pré-disposições e, muito menos, destino. É tudo culpa dele!

Será que o diabo está mesmo preocupado em perturbar cada ser humano e dar essa importância detalhada só com o intuito de nos ferrar com pequenas coisas? Imagina o quão trabalhoso seria. Desde uma topada, um ônibus lotado, um amigo falso ou uma doença. Problemas tão comuns que, sinceramente, ele daria um copy paste, básico, só para completar a cota de maldades do dia.

Tudo bem, isso pode até soar divertido para ele. Afinal, nós, humanos, também achamos engraçado ver a desgraça alheia, mesmo que por coisas bem menores e muito bem escondido da sociedade. Mas longe de qualquer julgamentos, sim, nós rimos.

Diferente de nós, que perdemos tempo com isso, o diabo, deve ter mais o que fazer. Certamente, está divertindo-se bastante jogando, bebendo e fumando algo ilícito por aí. Sem falar no sexo livre, descompromissado e sem segurança. Deve estar mais preocupado em se satisfazer a se preocupar com essa gente tão inútil da Terra.

A única preocupação dele deve ser criar o anticristo para destruir tudo de uma vez, o que dá muito menos trabalho. Para que se preocupar em atrapalhar bilhões de pessoas focando em cada uma se pode disseminar tudo de uma vez, não é mesmo? Ah, e tem mais, já li por aí que ele vai ser derrotado rapidinho. Então, para que perder tempo com isso também?

Se algo de errado acontece, não o culpe, pois as pedras e buracos da vida a desviar fomos nós mesmos que criamos. Afinal, tivemos livre arbítrio para escolher em quais estradas percorreríamos. Então, caro amigo, deixe o diabo em paz. Ele está lá se divertindo enquanto você, ao invés de se preocupar em não cair ou tropeçar, cada vez que afunda, lembra de quem nem liga para sua existência.

Por Will Tirando

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Arco-íris

Uma longa estrada a percorrer. Já tirei meus sapatos e, ainda de meias, coloquei os pés sobre os bancos. Não nasci para ficar com eles amarrados em uma prisão mesmo que confortável. Precisam encostar no solo, sentir os grãos de areia passando entre os dedos, como se, literalmente, tivessem que reconhecer o lugar através do rastro de história passado por aquele caminho.

Observo aquela estrada sem fim. Serras, árvores, planícies, plantações, casebres abandonados. Me senti em  silêncio olhando aquela bucólica paisagem. Sem aviso prévio, gotículas de água começam a molhar os vidros  mesmo com a presença de um tímido sol. Podia sentir o gelado da chuva só de olhar a espessura e a velocidade com que caíam.

Logo me questionei se seria agraciada logo no início daquela longa viagem. E da dúvida, a certeza. Lá estava ele, imponente, exibindo cores vibrantes, em um lugar de destaque no horizonte estrategicamente escolhido. Luz e água se cruzaram no céu formando uma combinação admirável no horizonte e não se fazia necessário a presença de um pote de ouro em sua extremidade para que fosse verdadeiramente valioso.