Muitas perdas, mesmo que não diretamente minhas, nos últimos meses. Todas tão repentinas. Achei que fosse demorar mais um pouco para essa sequência triste da vida se fazer evidente. É essa constância que me assusta, não o fato das pessoas partirem, mas a sequência frenética de idas.
Sinto como se fôssemos frágeis demais... E realmente somos. Como se essa crença de final feliz realmente não existisse. Como posso falar somente pelos que ficam, perder uma pessoa importante não me parece ser um caminho para essa tal felicidade. É como se nosso mundo acabasse quando o outro fecha os olhos.
O grande problema não é a morte em si, mas não ter a certeza de, se quando partimos, tudo vai acabar ou se ainda temos uma - ou inúmeras - chance(s) de retornar e reencontrar nossos queridos, mesmo eles tendo nomes, profissões, endereços e personalidades diferentes. A grande questão é deixar de viver - no sentido de explorar, conhecer, aprender. Como também de conviver, de sentir, de estar. Este, sim, é o maior medo.
As feridas de quem fica se tornam cicatrizes e elas não são bonitas de serem exibidas. Esse é o único resultado do tempo: marcas. Quem dera se ele curasse, mas só ameniza quele vazio inexplicável que se instala em nossa alma.
Mesmo com toda a certeza de que iremos morrer, não há certeza alguma de viver.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Estrada da vida
Nunca sabemos quando vai haver uma bifurcação. E, somente depois que passamos por ela, é possível e traçar exatamente quais foram as escolhas, os caminhos e onde realmente estamos. Isso seria ótimo se pudéssemos voltar e interferir no futuro, que no caso, é o presente. Quem nos dera se conseguíssemos desenrolar tudo assim, mas se acontecesse do jeitinho que nós quiséssemos não se chamaria "vida".
terça-feira, 31 de julho de 2012
Eu pedi?
Me aprofundo cada vez mais na fotografia. Leio, estudo, entendo, aprendo, faço. Geralmente as coisas acontecem nessa sequência... Já tentei ser mais artística em uma série de tentativas, mas não deu certo. Finalmente, tive quem me ensinasse como ser mais criativa e não ter medo do "erro", pois ele também pode ser belo.
Depois da prática, da edição, do tratamento, a revelação. Eis que chego em uma loja qualquer, seleciono quais irei apresentar e a doce senhorita cheia de boa vontade diz:
- Ih, essa foto tá turva. Vai querer assim, mesmo?
Tão revoltada com a intromissão da moça, somente consegui responder com:
- É assim que eu quero.
Acredito que não tenha sido grossa desnecessariamente. Afinal, ela não é obrigada a entender alguma coisa de fotografia, mesmo trabalhando em um local que as revele, mas não deve ser abusada ao ponto de opinar qualquer coisa sobre. Fui para ter a foto em mãos, não para pedir opinião.
Depois da prática, da edição, do tratamento, a revelação. Eis que chego em uma loja qualquer, seleciono quais irei apresentar e a doce senhorita cheia de boa vontade diz:
- Ih, essa foto tá turva. Vai querer assim, mesmo?
Tão revoltada com a intromissão da moça, somente consegui responder com:
- É assim que eu quero.
Acredito que não tenha sido grossa desnecessariamente. Afinal, ela não é obrigada a entender alguma coisa de fotografia, mesmo trabalhando em um local que as revele, mas não deve ser abusada ao ponto de opinar qualquer coisa sobre. Fui para ter a foto em mãos, não para pedir opinião.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Pense e guarde
Tenho dois defeitos: dar liberdade às pessoas de falarem o que bem entendem sem serem perguntadas e me deixar abalar por isso.
Costumo culpar minha cara - no sentido real da palavra. Por me fazer aparentar ser mais nova do que sou e por sorrir quando alguém dirige a palavra a mim. Também culpo minha voz, por não emitir sons mais graves, demonstrando firmeza, e minha estatura.
Ao analisar esses momentos de conflito, percebo que pessoas ignorantes geralmente são abusadas; não costumam usar aquele famoso "filtro" e falam sem medo de represálias. Abrindo um parênteses: na verdade, é bem possível que essas atitudes simplesmente possam ter origem na falta de educação mesmo, já que gente instruída também vomita "verdades" para todos os lados com toda sua onipotência baseada no vazio de suas certezas.
Tento me policiar todas as vezes em que recebo uma crítica de estranhos ou de alguém que não questionei. Considero que a melhor maneira de agir depois de uma busca desesperada de calma é responder com frases curtas, por vezes monossilábicas.
O interessante disso tudo é que sempre costumo pedir opinião sobre as coisas. Gosto das respostas variadas sobre determinados assuntos; as inúmeras idéias que podem existir sobre uma coisa tão pequena ou outra que pode mudar o curso da vida, do país e do planeta. Por isso, talvez eu não devesse me irritar tanto com os juízos e conceitos alheios.
Fato é que não consigo acreditar na cara de pau de opinar sem permissão, se intrometendo em coisas que não são de sua alçada, seja sobre a vida de alguém, suas escolhas ou pensamentos. E fico realmente incomodada. Uma coisa é achar e guardar para si (ou comentar com o amiguinho mais próximo para não parecer hipócrita), outra é julgar sem conhecer a pessoa, a causa ou a fonte.
Não te conheço, não te perguntei, não quero conhecer sua opinião.
Costumo culpar minha cara - no sentido real da palavra. Por me fazer aparentar ser mais nova do que sou e por sorrir quando alguém dirige a palavra a mim. Também culpo minha voz, por não emitir sons mais graves, demonstrando firmeza, e minha estatura.
Ao analisar esses momentos de conflito, percebo que pessoas ignorantes geralmente são abusadas; não costumam usar aquele famoso "filtro" e falam sem medo de represálias. Abrindo um parênteses: na verdade, é bem possível que essas atitudes simplesmente possam ter origem na falta de educação mesmo, já que gente instruída também vomita "verdades" para todos os lados com toda sua onipotência baseada no vazio de suas certezas.
Tento me policiar todas as vezes em que recebo uma crítica de estranhos ou de alguém que não questionei. Considero que a melhor maneira de agir depois de uma busca desesperada de calma é responder com frases curtas, por vezes monossilábicas.
O interessante disso tudo é que sempre costumo pedir opinião sobre as coisas. Gosto das respostas variadas sobre determinados assuntos; as inúmeras idéias que podem existir sobre uma coisa tão pequena ou outra que pode mudar o curso da vida, do país e do planeta. Por isso, talvez eu não devesse me irritar tanto com os juízos e conceitos alheios.
Fato é que não consigo acreditar na cara de pau de opinar sem permissão, se intrometendo em coisas que não são de sua alçada, seja sobre a vida de alguém, suas escolhas ou pensamentos. E fico realmente incomodada. Uma coisa é achar e guardar para si (ou comentar com o amiguinho mais próximo para não parecer hipócrita), outra é julgar sem conhecer a pessoa, a causa ou a fonte.
Não te conheço, não te perguntei, não quero conhecer sua opinião.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Ninguém
Ninguém traiu.
Ninguém fumou. Ninguém bebeu. Ninguém vomitou.
Ninguém dormiu. Ninguém babou. Ninguém sonhou.
Ninguém despiu. Ninguém sacudiu.
Ninguém transou.
Ninguém.
Ninguém bateu. Ninguém correu.
Ninguém desrespeitou. Ninguém xingou.
Ninguém iludiu. Ninguém sorriu. Ninguém curtiu.
Ninguém.
Ninguém sussurrou. Ninguém fofocou.
Ninguém apontou. Ninguém gargalhou. Ninguém julgou.
Ninguém pecou.
Ninguém é perfeiro. Ninguém.
Ninguém fumou. Ninguém bebeu. Ninguém vomitou.
Ninguém se rabiscou. Ninguém tatuou.
Ninguém.
Ninguém se desesperou. Ninguém surtou.
Ninguém chorou. Ninguém se arrependeu.
Ninguém orou. Ninguém rezou. Ninguém macumbou.
Ninguém.
Ninguém.
Ninguém se desesperou. Ninguém surtou.
Ninguém chorou. Ninguém se arrependeu.
Ninguém orou. Ninguém rezou. Ninguém macumbou.
Ninguém.
Ninguém dormiu. Ninguém babou. Ninguém sonhou.
Ninguém despiu. Ninguém sacudiu.
Ninguém transou.
Ninguém.
Ninguém bateu. Ninguém correu.
Ninguém desrespeitou. Ninguém xingou.
Ninguém iludiu. Ninguém sorriu. Ninguém curtiu.
Ninguém.
Ninguém sussurrou. Ninguém fofocou.
Ninguém apontou. Ninguém gargalhou. Ninguém julgou.
Ninguém pecou.
Ninguém.
Ninguém é perfeiro. Ninguém.
