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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Comércio enlatado

Não sei se em outros estados funciona deste jeito, mas nos trens no Rio temos um serviço maravilhoso de culinária e degustação de bebidas. Um loosho só!

Sabe aqueles dias de verão onde as senhorinhas tiram seus leques (de papel) das bolsas e os senhores abrem os botões da camisa pela metade exibindo toda aquela penugem a lá Tonynho (Ramos)? Então, nestes dias o negócio por aqui ferve. Digo 'por aqui', pois escrevo diretamente do próprio (trem).

Aqui existem rapazes que prestam o serviço de fast food. Se você tiver com aquela sede, que tal uma água geladinha? E ainda pode escolher entre com e sem gás! Melhor, melhor... Que tal uma Coca suada provinda direto do saco fedorento que fica cheio de gelo. Ainda bem que os canudos vem embalados agora, porque vai que...

Se você é adepto da cervejinha, nem precisa esperar chegar a sex'ta-feira - dia mundial do barzinho - para abrir a primeira latinha, no trem temos um grande leque de marcas entre 350 e 473ml. Mas não vendemos garrafas porque daria confusão na hora de pôr no copo, ou de algum empurra-empurra, você sabe.

Ah, você não gosta de beber sem petiscar? Um amendoinzinho com ou sem casquinha de biscoito está bom para você? Para os mais avançados na escala de pestisco, temos uma ótima opção, o baconzitos. Tudo com validade, carimbada, claro.

Se o seu problema são as crianças enchendo o saco, compre um picolé Moleka - este não é um post pago - para refrescar os melequentos. Se acha que sorvete faz muita cagada, pinga e deixa a carinha de seu bacuri imunda, aposte nas pipocas de 1 real e nas paçocas, afinal '10 é um real'.

Sempre chamei meus amigos para andar por aqui, mas me chamavam de doida, corajosa e sardinha (por que o trem só anda se tiver lotado, dã). Queria compartilhar essa experiência de um buffet sobre rodas e com direito a chegar o mais rápido possível em casa. A maioria, senão todos que experimentaram, não querem mais saber de outra coisa da vida a não ser viajar consumindo os quitutes que o trem oferece.

Infelizmente, estão querendo acabar com a nossa alegria, afinal alegria de pobre dura pouco. O Choque de Ordem, acabou com a nossa Uruguaiana, carinhosamente conhecida como Uru. Estão passando o rodo! Nossos metres e garçons estão sendo saqueados por guardas e policiais; e nossos lanches, com esse calor, estão indo, certamente, direto para a lixeira.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Hino à Cidade Nova

Os maiores jornais do Rio de Janeiro fazem parte deste bairro, mas não temos notícias por aqui;
Os travestis florescem nossos orelhões;
Temos nossas próprias celebridades;
O Roberto Carlos também manca da perna, mas este só vende doces;
A Cidinha Campos, essa sim é a cópia ruiva da original, e ainda leva um cachorro tarado nos elevadores do prédio de número 30;
Nas ruas sente-se o carnaval, porém depois que ele passa, deixando seus bêbados sobre as calçadas e o famoso mijo nos muros;
O Quartel da PM fica ao nosso lado, mas ainda ouvem-se os tiros das 'saidinhas de banco';
Suas estruturas estão em constante mudança, mas sua fachada é sempre a mesma, remendada;
Este é o bairro onde todo mundo se conhece, mas não conhecemos ninguém, pois todos tem algo, coisa ou membro a esconder;
Cidade Nova, velha, abandonada, renovada, decaída, destruída e reerguida.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vida de passageiro

Sou uma usuária de transportes públicos, assumo. Nunca errei um ponto, um número de ônibus, a plataforma do trem ou a direção do metrô. Conheço as pessoas que viajam e sei quando estou atrasada ou quando elas que estão fora do horário normal.

Quando vou trabalhar pego Expresso e sei o macete de ir sentada a partir do Méier. Até para conseguir andar em um vagão vazio, sei como devo burlar as pessoas, os ferros e os ambulantes. Podemos dizer que sou uma personal da área e poderia até cobrar uma grana por isso, só não sei me desvencilhar de uma classe: a dos velhinhos!

No trem, coitados, eles não tem vez. Como não existe lugares especiais, e mesmo que existissem, não iriam conseguir sentar, nem mesmo em Santa Cruz ou Japeri, porque a única coisa que se consegue ver nos trens são os suvacos das pessoas e, um pouco dos bancos descascados. No metrô, eles conseguem com a técnica da puxada de cabelo ninja, que todo mundo já viu, mas para quem não viu, assista aqui:

(Não consegui colocar vídeo nesse cocô)

Nos ônibus, a situação é um pouquinho diferente. Existem, pelos menos, uns 6 lugares reservados para os fofuxos de cabeça branca, contando com aquele que também é para obesos. Mas, não, eles NÃO querem sentar naqueles lugares!

Pensando sobre esse assunto, no ônibus, claro, resolvi analisar o comportamento dos moçoilos e criei alguns questionamentos zuuuper bem bolados que quero compartilhar com vocês.

Constatação número 1: Velhinhos gostam de calor humano! É nítido isso quando você alguns deles passeando pelos ônibus lotados às 7h30 da manhã, sem necessidade, levando consigo uma capanga - esse tipo de bolsa veio antes da pochete e trata-se de uma pasta de couro em tamanho reduzido - e todo aquele ar de tranquilidade, recusando-do a sentar no primeiro lugar oferecido, no segundo, ele se senta.

Outro ponto que me intriga é se você faz parte de uma minoria, subentende-se que queira lutar pelos seus DIREITOS. E qual o direito do idoso dentro do ônibus? Um lugar nos bancos AMARELOS! Que me desculpem os senhores daltônicos e analfabetos, mas se tem um lugarzinho especial para você, não venha tentar sentar no meu! O mais interessante é que eles passam direto, vão para o fundão - nossa área de lazer e descanso - fazendo aquela cara de pidão querendo SEU lugar.

A fim de facilitar a vida dessas ilustríssimas figuras que enfeitam nossos ônibus com seu fashionismo de 1900 e antigamente, as empresas criaram assentos antes das roletas. Além de se sentarem com mais rapidez, não precisariam enfrentar milhares de passageiros amontoados, mas não! Aí voltamos ao tópico "calor humano".

Ainda tem os que se fazem de desentendido, querem sentar-se ao lado de pessoas de estatura mediana, magras e cheirosas e encaram sem dó, nem piedade a pessoinha que está ao lado de sua mira. Eu digo, não!
Essa vida de passageiro vai acabar, vou virar motorista! Só assim tenho o lugar reservado e não precisarei mais sentar na escada para curtir uma viajem bacana Valqueire X Praça XV em paz.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Palitar

Sair da inécia é para poucos. O fácil é se sentar à frente do computador e dizer que não tem nada para fazer. É o famoso e clássico 'tédio' que paira sobre os Facebooks, Orkuts e Twitters desse mundão. Mas amigo, você não tem o direito de falar nada, se está interagindo com a máquina as provas são nítidas de que já está fazendo alguma coisa, certo?

Teorias manjadas à parte, o negócio é que o povo gosta é de ter do que reclamar. Pode ser do tempo, da bagunça, da conexão, do namorado e de não ter o que fazer. Assim começa a sequência dos dominós enfileirados. Quando um começa, vem todo mundo atrás caçando um pontinho de erro na vida para conseguir entrar no assunto.

E eu não fico muito para trás. Como ninguém é de ferro, às vezes me entrego ao mundinho das reclamações e, só pra constar, tem gente que reclama da minha reclamação. Como assim G-zus? Reclamar duas vezes não vale. É covardia.

Mas na falta de assunto é sempre uma boa pedida. Que tal citar o clichê do elevador e reclamar do tempo? Quando está calor é ruim, quando esta frio também, quando chove, coitado de São Pedro!

A coisa funciona de um jeito que o legal não é tentar tirar o reclamão da inércia, e sim ouvir. Se você tiver a audácia de dar uns pitacos para que a situação dele melhore e tentar tirá-lo de casa, sabe o que ele é capaz de fazer? Adivinhem! Ai, gente... Reclamar, né.

Por isso esse negócio de ficar olhando demais para o umbigo e pensar muito na vida não é bom negócio. Agir, sim, é uma boa pedida. Sempre tem algo a ser feito, ou uma pendencia, que incomoda igual carne no dente. Então, neste momento, sou adepta do palito! Arranca a carninha e segue a vida. É nojento, nem sempre é simples, mas funciona.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Narrativa de uma chegada

São Paulo é a terra da garoa? Que nada! Bastou cruzar a divisa da Cidade de São Paulo que o mundo caiu de uma vez. Enquanto os pingos de quase cinco centímetros de diâmetro caiam como granizo, o Tietê fazia o favor de encher.

Passado o susto, nós conseguimos olhar pela janela e ver os deslumbrates arranha-céus e, logo em seguida, a famosa Ponte Estaiada. Não resisti e dei um tchauzinho pro SPTV - pra quem está fora de Sampa, a ponte serve como plano de fundo 'vivo' para a transmissão do jornal.

Só para variar o ambiente, como 'as favelas daqui são como as favelas de lá' - já dizia o poeta - papai fez o favor de se perder por entre elas. Terminal João Dias, alguém sabe onde fica? 'Farol à direita, farol à esquerda'. Achamos!... Ou não.

Moto, moto, moto. Carro, carro, carro. Um mercado que se for chamado de 'hiper' é pouco. Chuva, muita chuva. Viaduto pra todos os lados. E o trânsito no estilo carniça: Eu freio, todo mundo freia. Eu chego pra esquerda, todo mundo chega pra esquerda. E por aí vai...

Missão cumprida: Diadema cá estamos.

Enfim, esse texto foi produzido dentro do carro, pois a paisagem e o desespero se repetiam. O melhor a fazer, era me entregar às letras, mesmo.